Texto base: Gálatas 5:1 - “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou”.
Autor:
Jefferson G. de Sousa
INTRODUÇÃO
Precisamos constantemente olhar de
forma geral para a saúde teológica da Igreja. Como têm se comportado os nossos
líderes? O que eles têm pregado aos irmãos? Como a Igreja tem vivido? Qual o
seu testemunho? Infelizmente, são questões com as quais não podemos deixar de
nos preocupar. Parece-me que a Igreja
brasileira não consegue entrar e permanecer em um equilíbrio teológico,
transitando sempre de uma extremidade à outra. Por alguns anos, a nossa luta
foi contra o legalismo existente na grande maioria das igrejas. Hoje, por sua
vez, enfrentamos o perigo do liberalismo teológico em boa parte das igrejas
evangélicas do Brasil. Neste artigo, vamos tentar entender um pouco sobre isso
e como nós podemos viver, de forma bíblica, uma teologia equilibrada e saudável
nas igrejas evangélicas do Brasil.
Sobre o legalismo
No Novo Testamento, podemos observar
tanto nas falas de Jesus quanto nas falas dos apóstolos uma luta contra essas
regras humanas impostas ao povo de Deus. Jesus, por exemplo, questionou diversas
vezes e condenou os fariseus por isso, vejamos:
Mateus 23:4 Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os
põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los.
Esse
texto de Mateus 23 é muito conhecido no meio evangélico devido à forma como
Cristo fala sobre esse tipo de liderança. E aqui nesse texto, Cristo está
claramente condenando os fariseus por imporem regras excessivas ao povo. Outro
grande perigo para as Igrejas Evangélicas nesse sentido, é que em muitas
denominações, devido à quantidade excessiva de regras humanas que vão além das Escrituras,
há o perigo de substituir a Palavra de Deus por tradições religiosas, Jesus
também advertiu sobre isso:
Marcos 7:7-8 Em vão me adoram, as doutrinas que ensinam não passam
de ordenanças humanas. E assim abandonais o mandamento de Deus, apegando-vos às
tradições dos homens.
E
esse é um fator presente em muitas igrejas evangélicas, algo que não tem como
negar. As denominações e seus líderes fazem isso descaradamente, é observável
também na forma como seus fiéis se comportam, alguns até mesmo se gabam de tais
regras, movidos por sua ignorância, arrogância e principalmente falta de
conhecimento da Palavra de Deus, a qual dizem conhecer e viver. O fruto dessa
doutrina legalista está na “aparência exterior” daquilo que não é interior. Por
isso essas regras não têm poder para transformar o coração do homem, apenas colocam
um cabresto, e por determinado tempo.
O apóstolo Paulo escreveu sobre
isso, vejamos:
Colossenses 2:20-23 Considerando que morrestes com Cristo para as
tradições humanas e a falsa religiosidade deste mundo, por que vos sujeitais
ainda a tais ordenanças como se pertencêsseis a este sistema de valores? Não
mais obedeçais a regras como estas: “Não toques!”, “Não proves!”, “Não
manuseies!” Todas essas regras estão destinadas a desaparecer pelo uso, pois se
baseiam em ordenanças e ensinos meramente humanos. Esses regulamentos têm, de
fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e
rígida disciplina para com o corpo, mas não têm valor algum para refrear as
paixões da carne.
Podemos
considerar que o apóstolo Paulo está alertando contra as regras humanas que
aparentam santidade, mas não transformam o coração. Eu poderia citar tantos
outros textos sobre esse assunto, mas, quero ser breve. Poderíamos considerar,
por exemplo, a parábola do fariseu e do publicano em Lucas 18:9-14, em que
Cristo mostra a arrogância religiosa e a humildade diante de Deus. Portanto,
podemos chegar à conclusão que, denominações cristãs evangélicas que impõem
regras e tradições que vão além das Escrituras, apenas aparentam ser, o
resultado dessas regras humanas é apenas exterior, sem qualquer efeito
transformador no coração do homem, e muito menos produzem qualquer benefício
para a eternidade.
Sobre o liberalismo
Quando isso acontece, a igreja perde
a sua referência diante da vontade de Deus, e deixa também de ser um
referencial contra o pecado no contexto social na qual está inserida. Há muitas
referências bíblicas nesse sentido, vejamos esse texto do Antigo Testamento:
Juízes 21:25 Cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos.
Esse
era um contexto muito difícil para o povo de Deus, o período dos juízes. Moisés
havia morrido, Josué, o seu sucessor, também. Entre idas e vindas, transitando
entre a obediência e a desobediência, Deus levantava Juízes no meio do seu
povo, contudo, conforme o texto nos diz “cada pessoa fazia o que parecia
direito”. As Leis de Deus eram colocadas de lado, para que vivessem conforme
gostariam, satisfazendo suas próprias vontades. Isso é muito parecido com o que
podemos observar no contexto de muitas Igrejas liberais hoje em dia. Temos as
Escrituras Sagradas que nos ensinam o modo correto de o crente viver, mas, para
satisfazerem suas vontades carnais, relativizam a Palavra de Deus para viver
conforme querem, associando-se a este mundo, com suas culturas depravadas.
O apóstolo Paulo fala algo
importante sobre isso:
2 Timóteo 4:3-4 Porquanto, chegará o tempo em que não suportarão o
santo ensino; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, reunirão mestres para
si mesmos, de acordo com suas próprias vontades.
Aqui
Paulo está fazendo uma importante advertência contra a rejeição da verdade
bíblica, alertando que virá o tempo, e ao que parece já chegou, em que as
pessoas buscarão líderes que possam satisfazer suas vontades, que aceitem a
libertinagem sob o pretexto de “nada a ver”, “é cultura”; para cobrir uma
verdade escriturística que não podemos ignorar: “Todas as coisas me são
permitidas, mas nem todas são saudáveis” (1 Coríntios 6:12). Tanto no legalismo
quanto no liberalismo a igreja transita no perigo da inversão de valores. No
liberalismo, as Igrejas confundem a nossa liberdade em Cristo com a libertinagem,
precisamos entender que a verdadeira liberdade em Cristo não é fazer o que
queremos, mas, sim, fazermos aquilo que agrada e glorifica a Deus. A liberdade
que Cristo nos proporciona é do peso da culpa, do pecado e das tradições desse
mundo para vivermos a graça transformadora, que nos muda de dentro para fora,
permitindo vivermos guiados pelo Espírito Santo de Deus e em seu amor.
Judas, em sua carta, é muito
enfático quanto a este assunto:
Judas verso 4: Porquanto, certos indivíduos, cuja condenação já
estava sentenciada há muito tempo, infiltraram-se em vossa congregação com toda
espécie de falsidade. Essas pessoas são ímpias e adulteraram a graça de nosso
Deus em libertinagem e negam Jesus Cristo, nosso único Soberano e Senhor.
O
chamado aqui é para batalhar pela verdadeira fé cristã, que não vive outro
caminho a não ser o da santidade. E Judas, nesse texto, está fazendo um
importante alerta contra o uso da graça de Deus como desculpa para o pecado. O
apóstolo Paulo, por sua vez, em Romanos 12:2 deixa claro que o cristão não deve
moldar a sua fé segundo a cultura deste mundo. Isso é lógico, a única cultura
que a Igreja deve aderir é a cultura celestial, a cultura do céu, pois é de lá
que vem tudo o que precisamos para seguir firme nessa fé, até à volta do nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo. Concluindo, igrejas com uma teologia liberal,
erra tanto quanto uma igreja legalista e está fora daquilo que as Sagradas
Escrituras dizem e ensinam sobre o modo de viver dos santos.
O equilíbrio bíblico e teológico
João 1:14 E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. Vimos a sua
glória, glória como a do Unigênito do Pai, cheio de graça e verdade.
Assim
deve ser o viver cristão, um viver piedoso, tanto de forma pessoal como em
comunidade. A Igreja foi convocada por Cristo para glorificar a Deus, ser
santa, fazer missões pregando o evangelho e fazendo discípulos de todas as
nações, crendo na promessa de Jesus que afirmou que estaria para sempre
conosco.
De forma individual, o cristão
precisa entender que fomos salvos pela graça de Deus, e chamados para praticar
as boas obras (Efésios 2:8-10). E essas boas obras que fazemos, devem ser para
glorificar a Deus e expressar o verdadeiro amor cristão, fazendo isso à
semelhança de Cristo, que nos amou de forma sacrificial. A aparência exterior
deve exalar e ser resultado direto de quem somos interiormente, entendendo
isso, seremos exemplo de humildade entre todos, o amor e a santidade serão
evidenciadas por meio de uma vida de obediência às Sagradas Escrituras, que de
forma graciosa e poderosa, molda o nosso ser interior. Um exemplo do modelo do
equilíbrio que Deus espera do seu povo está em Miqueias, vejamos:
Miquéias 6:8 Ó ser humano! Ele já te revelou o que é bom, e o que o
Senhor exige de ti senão apenas que pratiques a justiça, ames a misericórdia e
a lealdade, e andes humildemente na companhia do teu Deus!
Que
texto maravilhoso! Reflita sobre isso.
Por fim, quero enfatizar que a
liberdade cristã deve ser exercida com responsabilidade, Paulo deixa isso claro
em Gálatas 5:13. Liberdade em Cristo não significa libertinagem! Uma teologia
equilibrada é aquela em que a Igreja ou comunidade, aprendeu a viver o
Evangelho em sua totalidade, sem acréscimos, apenas o que está escrito e nos
foi dado por Cristo e seus apóstolos. O que passar disso nada mais é do que uma
tentativa humana de se apoderar daquilo que não é seu. Do que a Igreja precisa?
Do Evangelho de Jesus e nada mais!
Resumindo
Infelizmente, muitos cristãos estão
passando de um extremo para o outro: Legalismo “Tudo é pecado”, Liberalismo:
“Nada é pecado”. O legalista tem as seguintes características: Julga pela
aparência, exalta tradições humanas, mede espiritualidade por regras externas e
tem dificuldade de compreender a graça. O liberal relativiza as Verdades
Bíblicas, minimiza o pecado, coloca experiências acima das Escrituras e adapta
a fé à cultura. Nos evangelhos, Jesus corrigiu os legalistas, chamou os
pecadores ao arrependimento, demonstrou o amor sem aprovar o pecado e pregou a
graça sem abandonar a verdade. Se quiser evitar os extremos e se tornar um
cristão com uma teologia saudável siga essas instruções: Conheça profundamente
as Escrituras, mantenha comunhão com Deus, busque a orientação do Espírito Santo,
avalie tudo à luz das Escrituras e seja humilde.
O legalismo prende o homem às
regras, o liberalismo o entrega aos próprios desejos. O evangelho de Jesus,
porém, conduz o ser humano à liberdade verdadeira em Cristo. Deus não nos
chamou para vivermos presos à tradição humana nem dominados pela cultura deste
mundo, mas para caminhar em santidade, guiados pela graça e pela verdade
reveladas em Sua Palavra.
Deus
te abençoe.




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